PENSAMENTOS E FRASES

“A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõe."

(Jean Piaget)

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domingo, 19 de agosto de 2012

E agora, mãe? Entrevista com a autora Isabel Vieira


A história desta história



Você se baseou em uma história real?

Baseei-me em várias histórias semelhantes. Em 1987, quando eu trabalhava em Capricho, editei uma matéria sobre gravidez precoce. Naquela época, já me chamava a atenção que tantas garotas se tornassem mães tão cedo. Antes de escrever o livro, entrevistei especialistas para entender as razões do problema. A doutora Albertina Takiuti, que coordenava o Programa de Atendimento à Saúde do Adolescente do SUDS-SP, me cedeu uma pesquisa que ela havia feito. Foi de onde tirei os dados para criar a protagonista do livro. Jana age, pensa e sente como a maioria das garotas de classe média que engravida na adolescência. Talvez por isso ela pareça tão real.


Rio Largo existe?
É uma cidade fictícia, mas com características de muitas cidades médias do estado de São Paulo. Situei a história no interior porque o preconceito tende a ser maior em lugares menores. Se Jana vivesse numa metrópole, talvez não fosse tão discriminada como em Rio Largo.






O que acha da atitude de Ivan, fugindo da responsabilidade?

A atitude covarde de Ivan e de sua família espelha um pensamento conservador, segundo o qual a mulher é “culpada” pela gravidez. Como se o homem não tivesse participado do ato. Felizmente, isso vem mudando. É preciso lembrar que o livro foi publicado em 1991. De lá para cá, tenho visto avós paternos que assumem os netos e pais solteiros que registram, pagam pensão e convivem com a criança. É o que todos deveriam fazer.






Qual a sua posição a respeito do aborto?

No capítulo 5, levanto algumas questões sobre aborto. Uma delas é que o médico aborteiro só age porque pacientes o procuram. O que quero dizer? A maioria das pessoas condena o aborto, mas o Brasil é um dos campeões mundiais de aborto clandestino. Então, alguma coisa está errada... Penso que o aborto deve ser discutido com menos hipocrisia. É bonito defender a vida, mas só isso não basta. É preciso dar condições para que a vida se desenvolva. Nenhuma mulher aborta por prazer. Sou a favor de se educar as mulheres para que só engravidem se puderem criar o bebê.





Se uma de suas filhas engravidasse, como você reagiria?

Felizmente, elas só tiveram filhos depois de casadas (tenho quatro netos). Quando eram adolescentes, caso engravidassem, eu teria uma reação parecida com a da mãe de Jana. Ficaria brava, pois elas não poderiam alegar falta de informação ou de diálogo. Mas acabaria ajudando, desde que a mãe assumisse sua responsabilidade. Não acho certo os avós arcarem com a criação do neto para poupar a filha dos problemas.





Por que Jana e Ivan não ficam juntos? Que final infeliz!

A vida real não é como a novela das sete: nos últimos capítulos os conflitos se resolvem e todos encontram seu par. Não digo que seja impossível, mas é raro um amor como o de Jana e Ivan dar certo. Ela se decepcionou com ele, o encanto se quebrou. Mas não acho o final infeliz. Jana foi valente, conseguiu criar Gabi e tocar sua vida. Só anos depois, em E agora, filha?, Jana vai encontrar quem a mereça. 






O que você quis dizer com essa história?

Que o melhor é não engravidar, pois as três opções que existem quando isso acontece – o aborto, o casamento precoce ou ser mãe solteira – são igualmente dolorosas e difíceis. Escolhi para minha personagem a que eu considero a mais nobre: assumir as conseqüências de seus atos. Mas não foi fácil. Por isso, olhos abertos! Há muita coisa que uma menina deve fazer antes de assumir um compromisso tão sério. Filho é para sempre e não tem volta.



RESENHA DO LIVRO

E agora, mãe?" É um livro que conta a história de Jana, uma jovem de 14 anos que tem o sonho de ser uma grande bailarina, até que um imprevisto muda todo o seu destino. Ela engravida, o pai da criança vai para os Estados Unidos e some. E toda a sua vida muda por causa dessa nova criança que está a caminho. Ela começa a ver o seu corpo e seu temperamento mudar.Vê a pequena cidade onde sempre viveu torcer o nariz para ela. Seus pais... E o seu maior sonho... Indo por água abaixo.

A autora consegue mostrar bem a transição da Jana de quando ela estava com 14 anos para a idade dos 19. É bem visto o modo como Jana enfrenta as responsabilidades de ser uma jovem mãe, de ter que trabalhar fora e ainda ter que se preocupar se está atrapalhando a tia ou não, já que logo depois ela se mudou para São Paulo, para a casa da tia. A autora também conseguiu passar muito bem todas as frustrações dela de ver sua amiga de Ballet se dando tão bem com a dança, enquanto ela tinha de ficar em casa, cuidando da filha...